quinta-feira, 7 dezembro, 2023

[Resenha] Um Amor Incômodo

Pode-se afirmar que a primeira infância é um dos períodos mais enigmáticos de nossas vidas. Muitas vezes, acreditamos ter passado por alguma experiência, mas, na realidade, foi apenas uma construção de nossa mente. Em alguns casos, existem traumas ou medos associados a algum animal ou pessoa, tudo baseado em memórias estranhas dessa época. Apesar de nem todas as lembranças ou temores fazerem sentido, é na primeira infância que se estabelece um marco fundamental para o desenvolvimento humano, seja ele motor ou psicológico. É exatamente sobre isso que o livro “Um Amor Incômodo”, da autora Elena Ferrante, trata.

Na primeira obra escrita pela enigmática autora italiana, somos introduzidos a uma mulher de meia-idade. Logo nas primeiras páginas, percebemos que ela tem uma relação conturbada com a mãe. Tive a impressão de que a filha sente certo desprezo pela mãe, mas não consegue compreender muito bem o motivo. No entanto, após a morte da mãe, ela precisa lidar com os arranjos do velório e desocupar a casa em que sua mãe morava sozinha. A morte de Amalia (a mãe) parece ser dramática, no entanto, ocorreu de forma misteriosa. Em busca de respostas, Delia (a filha) precisará reviver suas memórias mais antigas sobre essa mulher que lhe parecia tão repugnante.

Após a leitura da obra, busquei algumas resenhas no YouTube e vi pessoas expressando opiniões não tão positivas sobre o livro. Talvez essas pessoas conheçam outras obras de Elena Ferrante ou simplesmente não tenham gostado, mas particularmente, eu amei o livro. Uma mistura de drama com suspense que, até onde me lembro, nunca havia lido antes e que me deixou presa na história, temendo o que poderia acontecer com Delia ou, pior ainda, uma descoberta totalmente inesperada.

Quando pensamos em suspense, geralmente esperamos por reviravoltas na trama, mas isso não ocorre aqui, embora haja, de fato, uma surpresa no final que alguns poderiam até prever (mas eu não, sou um pouco lerda nesse sentido). Este livro aborda, principalmente, os relacionamentos entre mães e filhas e como as filhas se espelham em suas mães, desejando ser como elas, e não compreendem (especialmente na infância) que não somos nossas mães.

A história se passa em meados dos anos 90, mas alguns eventos remontam aos anos 50, em uma cidade do interior, onde vemos personagens muito característicos do estereótipo italiano que conhecemos hoje em dia. O marido de Amalia era um homem extremamente violento, e esse medo era visível em Delia, mesmo na vida adulta. Ele desconfiava de tudo e descarregava todas as suas frustrações na esposa, acreditando que ela era a culpada por seus erros e desgraças, além de acusá-la de adultério.

Enquanto Amalia apenas almejava ser feliz, desejando socializar com outras pessoas e rir livremente; sofria tanto nas mãos desse homem que, em certo momento, foi embora com as três filhas na tentativa de encontrar a felicidade. Não acredito que Delia ressinta a mãe por isso, mas ela se ressente por outra coisa que nem mesmo ela se lembra. Mais do que isso, ressente-se por ter desejado ser sua mãe quando, na verdade, deveria ter sido apenas uma criança de 5 anos.

Para ele, aquela risada parecia um gesto deliberado de humilhação. Na verdade, Amalia apenas tentava imitar as mulheres com semblante feliz, retratadas em fotografias ou desenhos nos cartazes e revistas dos anos quarenta: lábios pintados e sorridentes, dentes brilhantes, olhar vivaz. Ela queria ser assim e moldou sua risada para corresponder. Deve ter sido difícil para ela escolher um tipo de riso, vozes e gestos que o marido poderia tolerar. Nunca era claro o que era permitido ou não.

Além do relacionamento familiar de Delia, um paralelo é traçado com um homem misterioso que supostamente era amigo íntimo de Amalia e que estava com ela no momento de sua morte: Caserta. Delia se lembra dele desde sua infância e acredita tê-los visto juntos naquela época. Descobrir que esse homem voltou à vida de sua mãe é extremamente perturbador, principalmente porque apenas a menção do nome dele resultava em diversas ocasiões em que Amalia era espancada pelo marido.

Em suma, o livro trata-se de uma busca incessante de Delia para encontrar esse homem e confrontá-lo sobre seu relacionamento com sua mãe. No entanto, mais do que isso, trata-se das memórias de Delia que, aos poucos, vão retornando sobre aquela época. Caserta é um homem misterioso e, em poucos momentos, entendemos seu papel na vida de Delia, considerando sua infância, mas ao mesmo tempo, ele é extremamente relevante com tudo que é revelado.

Não posso dizer se este é ou não o pior livro da autora, pois não tive outras experiências. No entanto, posso afirmar que gostei muito desta obra, principalmente pelo enfoque em explorar as lembranças da primeira infância, muitas vezes esquecidas, e como essas memórias vêm à tona, nos surpreendendo pelo que nossa mente esconde para nos proteger.

Um amor incômodo

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