Curiosidades

Centeio estragado: O possível motivo para os julgamentos das “bruxas de Salem”

O cereal pode estar diretamente aos casos de convulsão, delírios e outras manifestações que levou mulheres para a forca

A chamada ‘caça às bruxas’ em Salem marcou a história dos Estados Unidos pela forma como mais de 200 pessoas foram abordadas na cidade homônima, hoje localizada no território do estado de Boston, e acusadas de associação com atos de magia e bruxaria, esbanjando rumores de paranormalidade.

A tal caça iniciou no ano de 1692 e resultou em 25 mortes cruéis, decorrentes de enforcamentos e até condições que levaram ao óbito após prisões. Associados a pactos com demônios e inicialmente atribuídos como responsáveis por manifestações insalubres de Betty Parris e outras crianças da região, os acusados foram julgados por feitiçaria, principalmente após os pequenos sofrerem de convulsões, indisposições físicas e até delírios.

Contudo, longe da invenção de ferramentas digitais para diagnósticos e até mesmo da disseminação de conhecimentos exatos sobre a medicina, o diagnóstico real das crianças de Salem nunca pôde ser confirmado, levantando dúvidas que perduram até os dias atuais.

Contudo, no ano de 1976, uma cientista decidiu analisar os relatos médicos da época para, ao menos, associar a semelhança dos sintomas com algum diagnóstico que poderia ser apontado atualmente.

Analisando a cultura

Na ocasião, a pesquisadora norte-americana Linnda Caporael, que compunha o Instituto Politécnico Rensselaer, em Nova York, analisou desde os relatos até como era os hábitos daquela época, chamando atenção para a alimentação local.

Composta também por grãos, o consumo de centeio poderia estar diretamnte ligado aos problemas de saúde nas crianças, visto que, quando o alimento estraga, mesmo sem sinais aparentes, podem causa ruma intoxicação chamada ergotismo.

O ergotismo se manifesta no ser humano com a contaminação pela ingestão de alimentos onde o fungo Claviceps purpurea se faz presente. Ele é conhecido, inclusive, como “esporão do centeio” pela facilidade de se desenvolver no cereal, como informou a revista Super Interessante.

O tal fungo surge com ainda mais facilidade em climas úmidos e frios, coincidindo com os registros meteorológicos da aldeia ao longo de 1692, embasando a tese de Caporael de que, na verdade, as manifestações poderiam ser simplesmente uma contaminação com reações adversas ao funcionamento metabólico dos pequenos. Os adultos, por sua vez, possuem um organismo mais forte e, dessa forma, não tiveram as mesmas reações.