Curiosidades

Quais são os efeitos do álcool no cérebro?

De um modo geral, festas e comemorações quase sempre envolvem bebidas alcoólicas. Muitas culturas veem o álcool como um grande auxiliador da socialização com a família e amigos, ou até mesmo com estranhos. Da mesma forma, o álcool pode obviamente alterar nosso comportamento de várias maneiras, mas você já se perguntou como isso acontece? Quais são os efeitos do álcool no cérebro?

Ao longo deste artigo, nós vamos explorar a forma como o álcool age no cérebro, ao mesmo tempo em que compreendemos como as células cerebrais se comunicam sob essas circunstâncias.

O mecanismo de ação do álcool no cérebro

Quando consumimos álcool, ele atinge a nossa corrente sanguínea depois de algum tempo e, em seguida, chega ao nosso cérebro à medida que o sangue circula pelo corpo. No cérebro, ele se liga a uma variedade de receptores de neurotransmissores, levando a diversos efeitos.

Primeiramente, o álcool tende a se ligar aos receptores de GABA, uma classe de receptores que, sob as circunstâncias desencadeadas pelo consumo de bebidas alcoólicas, diminui a capacidade de resposta das células nervosas. Este tipo de redução geral da atividade cerebral é chamada de “depressão do sistema nervoso central (SNC)”.

Além disso, ocorre também uma ação inibitória semelhante na medula espinhal e na parte inferior do cérebro, chamada de tronco encefálico. Ele faz isso interferindo nos receptores de um neurotransmissor chamado “glicina”. Juntos, eles levam a um estado geral de relaxamento.

Na prática, tudo isso faz com que os movimentos musculares da pessoa fiquem mais lentos e as pupilas relaxem, ao mesmo tempo em que a respiração fica mais pesada e abre espaço para um quadro de confusão e tontura. Destes, o efeito mais notável é a redução da inibição social, permitindo que o indivíduo em questão se comporte de maneiras que normalmente não faria.

Além da ação inibitória, o álcool também reduz a ação dos neurônios excitatórios, dando origem a um efeito sedativo. Isso ocorre porque o álcool atua no cerebelo, uma parte do cérebro que é responsável pela mobilidade, resultando em uma diminuição da capacidade de coordenar os movimentos musculares ao caminhar, falar, etc.

Os efeitos de curto e longo prazo do álcool no cérebro

O consumo de álcool, como observado anteriormente, interfere em vários neurotransmissores no cérebro e afeta suas interações com as células cerebrais. Consequentemente, o álcool também pode promover vários efeitos prejudiciais ao cérebro, tanto a curto quanto a longo prazo.

Estudos têm mostrado que o consumo de álcool, ainda que em curto prazo, pode impactar a memória, interferindo e até mesmo danificando o mecanismo de formação de memórias, o que ocorre em uma região do cérebro que possui uma forma de cavalo-marinho chamada “hipocampo”.

Em condições normais, o cérebro humano mantém um bom equilíbrio entre substâncias químicas excitatórias e inibitórias. Quando consumimos álcool, entretanto, esse equilíbrio é desfeito, resultando em mais sinalização química inibitória geral no cérebro.

A boa notícia é que, quando se trata do uso de álcool por curto prazo, esse equilíbrio é facilmente restaurado e os efeitos são reversíveis. Porém, com o uso prolongado de álcool, esse equilíbrio pode ficar distorcido permanentemente, o que pode levar a um quadro de “tolerância”. Nesses casos, os “beberrões” se tornam menos responsivos a pequenas quantidades de álcool, levando-os a consumir doses ainda maiores de álcool num ciclo vicioso.

O problema do vício

O álcool pode causar dependência por meio de mecanismos complexos que envolvem vários neurotransmissores no cérebro. Um bom exemplo é a dopamina, que nos ajuda a ter uma sensação de “recompensa instantânea” em resposta a uma ação prazerosa. De um modo geral, os humanos tendem a repetir ações gratificantes e, por conta disso, o vício pode ocorrer facilmente pela modificação da ação da dopamina no cérebro, entre outras substâncias químicas.

Obviamente, o consumo de álcool faz parte da socialização em muitas culturas, sem falar que também é amplamente representado em livros, filmes e mídias sociais. No entanto, muito pouco esforço é gasto em compreender o lado mais sombrio que o consumo de álcool faz ao nosso cérebro e no corpo como um todo.

No fim das contas, é sempre importante ter em mente que os efeitos aparentemente inofensivos das bebidas alcoólicas são alcançados através de interferências em uma infinidade de substâncias químicas do cérebro e alterações no funcionamento normal do corpo humano. Por isso, beba sempre com moderação!